















Para evitar que as viagens de brasileiros para os jogos da Copa do Mundo se tornem uma brecha para a reintrodução do sarampo no Brasil, o Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (29) a campanha Vacinar é muito Brasil.
A ação convoca todos os viajantes a atualizarem suas cadernetas antes do embarque para os três paÃses que vão receber a competição, Estados Unidos, Canadá e México.
Juntos, os territórios concentram 67% dos casos de sarampo registrados nas Américas nos últimos anos.
Outro paÃs em surto é a Guatemala.
O Brasil mantém o status de paÃs livre da doença, reconquistado em 2024, apesar de casos esporádicos registrados.
Este ano, 3 infecções foram confirmadas: uma bebê do estado de São Paulo contaminada na BolÃvia; um homem da Guatemala, que apresentou sintomas também em São Paulo; e uma jovem do Rio de Janeiro, que trabalha em um hotel com grande trânsito de turistas internacionais.Â
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Durante o lançamento da campanha, na sede do projeto social Gol de Letra, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esclareceu que o foco é nos viajantes internacionais neste momento, considerando o risco que os surtos em outros paÃses representam.Â
"Primeiro esse público que está indo para Copa, porque são os três paÃses que têm explosão de casos de sarampo no continente americano", ressaltou.
"E aqui no Brasil a gente está fazendo uma campanha muito intensa com todo mundo que tem contato com turista, trabalhadores de hotel, trabalhadores de restaurantes, de táxi, de transporte coletivo. Para continuar com a nossa defesa firme", completou.Â
O imunizante contra o sarampo é a vacina trÃplice viral, que previne também a caxumba e a rubéola. No caso de quem vai viajar, o ideal é tomar a vacina pelo menos 15 dias antes do embarque, para garantir a chegada com o máximo de proteção.Â
Há duas semanas, o ministério instituiu outras adaptações para garantir a proteção desse público.
Os bebês de 6 meses a 11 meses devem receber a chamada "dose zero", uma vacina extra antes da idade normal de imunização.
Já pessoas entre 12 meses e 29 anos devem receber duas doses, com intervalo de um mês entre elas.Â
Adultos de 30 a 59 anos só precisam de uma dose.
Os idosos normalmente não recebem a vacina, porque provavelmente já tiveram contato com o vÃrus selvagem ao longo da vida e desenvolveram imunidade.
Mas podem ter acesso se forem viajar para as áreas de risco e estejam bem de saúde.Â
Apesar da preocupação especial com os viajantes, o ministro da Saúde salientou que todas as pessoas de 1 a 59 anos que não tiverem comprovante de vacinação devem procurar uma unidade de saúde.
"O sarampo é o vÃrus que mais transmite entre os seres humanos.
A vacina é para todos os brasileiros", ressaltou.Â
Padilha também reforçou a segurança do imunizante produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
"Eu sou médico infectologista e sou pai de uma criança de 11 anos anos de idade.
Eu não vacinaria minha filha se eu não tivesse confiança na qualidade, na segurança e na importância da vacina contra o sarampo e de todas as vacinas que estão no SUS.
Nós estamos vencendo o jogo contra o negacionismo e derrotando a turma da antivacina".
O ministro da Saúde também lembrou que o Brasil já havia se tornado área livre da doença em 2016, mas perdeu o certificado de área livre em 2019, após novos surtos que começaram com casos importados.Â
"Porque começou a ter campanha contra a vacina, teve corte nos investimentos na área da saúde, redução das coberturas vacinais, e só recuperamos em 2023.
O sarampo é uma doença que pode progredir como uma espécie de pneumonia e gerar internação e óbito, como nós tivemos quando voltou a ter surto no Brasil", alertou.