















A Rádio Nacional completa neste ano nove décadas de existência reafirmando seu papel histórico como um dos principais veículos de comunicação do país.
A emissora, que integra o conglomerado de mídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), é reconhecida como a maior rádio pública da América Latina, destacando-se por sua ampla capilaridade e pela presença multiplataforma no cenário radiofônico.
Atualmente, a Rádio Nacional é a única emissora brasileira com atuação simultânea em FM para todos os estados, operando também em AM e Ondas Curtas (OC) de alta potência, o que faz o sinal chegar a lugares remotos e para além das fronteiras brasileiras.
A programação também pode ser acompanhada pela internet via streaming, garantindo alcance para diferentes realidades geográficas e sociais do país.
“Ao completar 90 anos, a Rádio Nacional reafirma sua relevância como patrimônio da comunicação pública e como serviço essencial para a população.
Sua força está justamente na capacidade de unir tradição e presença contemporânea, em uma infraestrutura tecnológica robusta que permite chegarmos mais longe, a lugares onde muitas vezes não há nenhum outro veículo de comunicação.”
A rede própria da Rádio Nacional conta com cinco emissoras FM localizadas no Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), São Luís (MA) e Tabatinga (AM), além de presença em AM na capital federal.
Em Recife (PE), a Rádio Nacional é operada em parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC).
A transmissão da Rádio Nacional da Amazônia para longas distâncias, por sua vez, ocorre por meio de transmissores de ondas curtas (OC) instalados no Parque do Rodeador, localizado a cerca de 40km do centro de Brasília (DF) e que se configura como um dos maiores complexos de transmissão radiofônica do país.
Inaugurado em 11 de março de 1974, o parque completou 50 anos em 2024.
A área abriga quatro conjuntos de antenas gigantes, sendo uma de ondas médias, com 142 metros de altura, além de mais três conjuntos com torres mais altas, atingindo 147 metros para as ondas curtas.
O projeto foi desenvolvido com os recursos mais modernos da época para obter maior ganho e alcance de transmissão.
O comportamento de propagação das ondas curtas varia bastante ao longo do dia, sendo normalmente mais favorável no período noturno em razão da menor interferência causada pela incidência solar.
Esse tipo de sinal tem grande capacidade e já houve relatos de recepção em localidades muito distantes, como Alasca, Bielorrússia, Rússia, Espanha e diversos países da América Latina.
Embora a vocação principal da Rádio Nacional da Amazônia seja atender o Brasil, não há como “confinar” esse sinal aos limites territoriais brasileiros, justamente pelas características físicas dessa propagação.
A lógica dos parques transmissores, como o do Rodeador, permanece atual sob a perspectiva de levar informação, serviço e presença do Estado a populações e comunidades que ainda enfrentam limitações de infraestrutura, conectividade e, em alguns casos, até de acesso regular à energia elétrica.
Nesse contexto, o rádio portátil continua sendo um meio de comunicação essencial e a Rádio Nacional da Amazônia permanece cumprindo um papel estratégico de integração nacional e comunicação pública, sendo carinhosamente chamada por décadas de “Orelhão da Amazônia”.
Para marcar a data, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) vão promover duas lives para contar um pouco da história de um dos maiores parques transmissores de rádio da América Latina, em ondas médias e curtas. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil" title="Joédson Alves/Agência Brasil">
Com as ondas curtas, a Rádio Nacional da Amazônia alcança potencialmente 60 milhões de habitantes com um sinal que chega a toda a Região Norte, além do Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, além de outros estados e países.
Voltada ao público que reside fora do Brasil e que acompanha a programação da Rádio Nacional da Amazônia via ondas curtas, a emissora estreou em 2025 a faixa ‘Nacional Brasil – Serviço Internacional’.
A criação surgiu a partir dos pedidos de QSL recebidos pela emissora.
Os cartões QSL são postais usados por radioamadores para confirmar contatos feitos via rádio.
Eles funcionam como uma espécie de "recibo" de comunicação e são trocados entre operadores de rádio em diferentes partes do mundo.
A faixa tem conteúdos em inglês e espanhol e vai ao ar diariamente às 4h50, 7h20 e 22h50 (horário de Brasília).
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A infraestrutura de ondas curtas da Rádio Nacional destaca-se também por sua importância diante de eventos climáticos e tragédias ambientais.
Um dos exemplos refere-se às tempestades que castigaram o Rio Grande do Sul em 2024.
Com o objetivo de ampliar a prestação de serviços para a comunidade impactada pelas enchentes, foi criado à época o programa “Sintonia com o Sul” com programação dedicada à divulgação de informações para a região afetada.
Para esse objetivo ser concretizado, uma parte das antenas do Parque do Rodeador foi direcionada para o Sul do país.
A propagação do sinal pode variar conforme condições atmosféricas.
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A propagação do sinal pode variar conforme condições atmosféricas.
- Fonte EBC
Também faz parte da EBC a Rádio Nacional do Alto Solimões.
A programação combina as notícias locais e nacionais com protagonismo para a produção e a cultura regional.
Referência na cidade amazonense de Tabatinga (AM), onde está localizada, a rádio também faz a diferença para os moradores da região do Alto Solimões.
A emissora FM interliga nove municípios e serve de ponte de informação e comunicação com a população urbana, povos indígenas e comunidades tradicionais da Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
No ambiente digital, a Radioagência Nacional integra o sistema público de comunicação e atua como um importante eixo de distribuição de conteúdo jornalístico.
Pautada pela missão de levar informação gratuita, plural e de qualidade, a plataforma disponibiliza reportagens, boletins e matérias especiais que podem ser acessadas por emissoras de rádio de todo o país.
Os conteúdos produzidos pelo Radiojornalismo da EBC e veiculados pela Rádio Nacional também estão disponíveis no site.
O sistema próprio da EBC para a Rádio Nacional é complementado por um pilar estratégico: a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) de Rádios, que hoje é formada por 168 emissoras espalhadas por todo o Brasil.
Essa rede amplia a presença da Rádio Nacional por meio de parcerias com emissoras públicas, educativas e culturais em todas as cinco regiões do país.
A articulação fortalece o caráter público da comunicação e garante diversidade regional na programação.
Segundo os acordos firmados com a EBC, essas parceiras devem retransmitir um mínimo de quatro horas da programação da Rádio Nacional, não sendo obrigatória a simultaneidade.
As emissoras também devem transmitir um mínimo de uma hora de produção local por dia.
Em 2026, a estratégia de expansão da RNCP vai levar o sinal da Rádio Nacional para mais localidades, ampliando o seu raio de atuação de alcance.
Em março, por exemplo, as rádios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) passaram a integrar a rede.
Vale destacar que, também em março, entrou em operação na cidade de Fortaleza (CE) a Rádio Educativa FM 86,7, neste caso integrando conteúdos da Rádio MEC e produções locais.
Com uma programação diversa e estrutura capilarizada, a Rádio Nacional tem conquistado cada mais ouvintes nos últimos anos.
Dados do Ibope mostram que, tanto no ano de 2024 quanto no de 2025, a rede alcançou mensalmente mais de 400 mil ouvintes.
As estatísticas referem-se apenas às praças do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Distrito Federal e Recife (PE), onde a EBC possui medição de audiência.
Na prática, esse número é ainda maior – não é aferida, por exemplo, a audiência registrada pela Rádio Nacional da Amazônia em ondas curtas.
A Nacional no Rio de Janeiro, especificamente, teve aumento de 49% de ouvintes entre os anos de 2024 e 2025.
E, já em 2026, a Rádio Nacional FM de Brasília teve resultados históricos de audiência no Distrito Federal.
A emissora alcançou, no primeiro bimestre do ano, a maior participação de mercado (share) de toda a série histórica de medições, iniciada em 2010.
A emissora mantém uma curva contínua de crescimen...